Este projeto que tem como objetivo pesquisar, documentar e difundir a arte contemporânea paraense foi elaborado pelas professoras e pesquisadoras Marisa Mokarzel, coordenadora técnica, Janice Lima, coordenadora de arte e educação e Simone Moura, assistente de pesquisa. O projeto foi selecionado pelo Programa Petrobras Cultural na categoria Formação/Educação para as artes: materiais e documentação, cujo objetivo é trabalhar a política cultural de alcance social e a afirmação da identidade brasileira. Tem como proponente a Fundação Instituto para o Desenvolvimento da Amazônia – Fidesa e como beneficiária a Universidade da Amazônia – Unama. As obras que serão documentadas pelo projeto pertencem a Mariano Klautau Filho, Jocatos, Paula Sampaio, Lise Lobato, Elieni Tenório e Armando Queiroz, artistas cujos trabalhos têm forte ligação com fatores culturais, sociais e patrimoniais do Pará. O resultado da pesquisa será veiculado em cadernos, pranchas e DVD, com imagens e textos sobre as obras dos artistas e as referências culturais por estes utilizadas, criando um material educativo, de caráter didático e ao mesmo tempo artístico. Os Artistas Os seis artistas escolhidos têm em comum a preocupação com o patrimônio e a memória social da região, ou seja, com uma questão identitária. O trabalho, além de difusor da arte em seu próprio território, possui um eixo fixado na questão patrimonial. Mariano Klautau Filho foi selecionado por clicar a memória da cidade. A obra desse fotógrafo tem uma forte relação com a arquitetura e a cidade e um olhar crítico quanto ao descaso referente ao patrimônio construído em Belém. Jocatos envolve-se com o universo do bairro onde reside e dele e do Círio de Nazaré retira as fontes referenciais dos seus trabalhos. Paula Sampaio trabalha as imagens dos quilombolas e sua cultura peculiar. A artista Lise Lobato estabelece uma conexão com a Ilha do Marajó e a herança artística da cerâmica marajoara. Armando Queiroz realiza um trabalho com os brinquedos de miriti, esse bem cultural singular dos artesãos de Abaetetuba. E Elieni Tenório entretece em suas obras as relações sociais da mulher que mora nos bairros periféricos da cidade. Educação A intenção do projeto é alcançar principalmente os educadores e agentes culturais para difundir a produção de arte contemporânea paraense. Há uma grave lacuna no ensino de arte realizado nas escolas paraenses, a ausência da arte local. A produção artística regional é enorme, mas ainda sofre com as dificuldades de acesso até para quem mora em Belém, considerado hoje um pólo de artes. Assim, haverá cursos de capacitação para educadores de diversas instituições de ensino (educação formal e não-formal) para o uso desse material. Os campos de ação do projeto são Belém e os municípios próximos de Abaetetuba, Ananindeua e Santa Izabel. A produção Serão produzidos cadernos, pranchas e um DVD com reproduções das obras de arte, para facilitar o trabalho em sala de aula. Trata-se de um projeto feito para ser explorado por professores, museus e organizações não-governamentais interessados em desmistificar a arte e colocá-la num contexto mais amplo na sociedade.